E agora você está aí, toda aflita.

Aflita porque ele não responde seu e-mail. Não te liga dando notícias. Não responde seu SMS, seu tweet, sua DM, sua publicação no mural do Facebook. A tecla F5 está até gasta, de tanto que atualiza as páginas das redes sociais, dele e suas. Fica puta pra caralho quando vê que ele respondeu a outras pessoas e simplesmente te ignorou. Olha para o telefone a cada 5 minutos, como se fosse encontrar algo diferente dos 5 minutos passados. Acorda e a primeira coisa que faz é repetir todo o processo do dia seguinte, o dia todo novamente e de novo e outra vez.

Ah, como a gente é idiota quando surta. De tão idiota, você consegue rir de você mesma agora ao se ver em pelo menos duas ou três situações acima. Enquanto isso, o bonitão está lá, angariando conquistas, te usando como muleta emocional e um muro de projeções das carências que ele não quer mostrar para as eventuais fodas que aparecerão ao longo da semana. Perto dos outros, ele não quer nada, mas no conforto do anonimato, apenas entre vocês dois, ele até demonstra precisar de você. Mas isso dura o tempo de uma conversa no MSN ou ao telefone, mesmo. Ao desligar, ele já está pensando naquela gostosinha morena que o adicionou e que tem fotos deliciosas e que ele vai mandar uma mensagem pra ver se vira algo. Sabe como é homem, né? É então

Diante disso, o que fazer?

Simples: se desapegue!

Não o desapego de não ligar mais para a pessoa ou de simplesmente fingir que ela não existe. Isso pode até surtir efeito para chamar a atenção do babaca por alguns dias, mas tão logo ele volte à zona de conforto dele, tudo volta a ser como antes. Ele só vai te notar durante o período em que der o gelo, mas logo que o gelo derreter, ele voltará a ser o mesmo de antes. Lembre-se de que as pessoas não mudam, elas apenas se adaptam por um período. Se você acha que alguém mudou é apenas porque o conheceu adaptado. Aquilo do começo era uma adaptação, não era o ele real.

O desapego que falo é aquele que te trará alívio para não surtar mais. Aquele que vai te deixar menos neurótica, sem sofrer muito aquela sensação de que sua vida está parada e seguindo apenas em função daquilo ou daquele. Não é se desapegar da pessoa e sim da situação em que se encontra. Ou vai falar que é gostoso passar o dia todo pensando apenas nisso, com essa carga agoniante? (A pergunta é retórica, lerda)

Feche as janelas das redes sociais; feche o e-mail; pare de levar o celular na mão para todo lugar como se ele fosse ligar a qualquer momento; pare de acordar de madrugada e correr checar tudo, quase como quem faz uma via sacra virtual; pare de achar que toda indireta é para você – mesmo que 90% delas sejam, de fato; pare de mandar indiretas você também; não procure saber dele através de terceiros todos os dias. Olhe seus e-mails com a mesma freqüência habitual de antes, vá até as páginas dele apenas no final do dia, converse sobre ele com amigos em comum dia-sim-dia-não.

Pare de achar que ele está mudado e que todas as promessas que faz a você duas vezes na semana irão se concretizar; pare de achar que ele sente sua falta na mesma proporção que ele sente de você; pare com essa mania chata de prever o que ele está fazendo e se está passando mal por estar sozinho. Ele está buscando outros muros pra projetar a carência dele e esses muros fatalmente passarão pelo mesmo que você passa agora.

Esse desapego é preciso. Vai por mim.

E ao ver que não sentiu tanta falta de notícias, verá que talvez esse idiota não seja ainda o idiota perfeito para você. Pois poucas pessoas passarão pela sua vida e merecerão esse apego todo. E justamente as que merecerão não a farão passar por toda essa agonia. Por isso serão pessoas raras, únicas, quase inexistentes. Elas existem, disso não tenho dúvidas. Mas não se encontram em qualquer esquina da vida.

Acorda e me ouça: aquele que merece tudo isso de você não a fará passar por isso. Se alguém te coloca nessa situação e não faz o mínimo pra te dar um pouco de alívio efetivo, é sinal de que está na hora de desapegar, caralho!